Me aproprio do já conhecido termo ghost writer para explicar  – com um pouco de analogia e um tanto de antagonismo -  nosso funcionamento em alguns casos das artes visuais. Ghost writer (escritor fantasma, em português) é a expressão inglesa que designa o profissional de alto nível técnico, especializado em prestar serviços de redação de textos a outras pessoas que não têm tempo ou habilidade para escrever.O ghost writer trabalha silenciosamente, recebe sua remuneração e depois desaparece para sempre (daí a designação de fantasma) mantendo inviolável o segredo de sua participação naquela obra. A propriedade intelectual da obra fica para a pessoa que o contratou e pagou por seus serviços.

Guardadas as enormes diferenças, a Mozaik se assemelharia ao que poderíamos chamar de Ghost Artist em algumas situações. Produzimos para artistas que muitas vezes não dispõem de tempo e/ou recursos tecnológicos para a produção. Por exemplo, executamos projetos, onde o artista ,residindo ou estando fora do país durante o período de produção, somente vê sua obra na montagem ou na abertura da exposição. Partindo às vezes  somente de um esboço, uma maquete  ou tão somente uma idéia. E isso de maneira alguma tira o mérito do artista. Ao contrário porque, é somente sua a conceituação teórica. Mesmo que a produção, com suas limitações e características, interfira com a questão formal. Obviamente existe muita interação durante o processo de produção, já que nossos meios de comunicação assim o permitem. 

No entanto, não desaparecemos como um fantasma. Em geral não é um segredo o fato da Mozaik ter produzido uma obra. Ao mesmo tempo não é comum que nossa participação seja divulgada, salvo em algumas notas de agradecimento nos catálogos, mas nunca nas fichas técnicas que acompanham a obra. E não é incomum sermos contratados para restaurá-la no futuro, caso haja necessidade.

Isso tudo começou um pouco por coincidência, um tanto por necessidade financeira, outro tanto pela vontade de fazer um movimento de encontro ao desejo. De alguma forma funcionou e a prova disso é a intensa produção que já foi feita, exposta, vendida e devidamente processada pelos meios culturais.